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A maioria dos suíços vive no interior

03/03/2016

bz_suica André Fernandes – Suíça

Antes de pisar pela primeira vez na Suíça, tinha apenas um breve imaginário do cenário com montanhas e fazendas, paisagens de interior para descanso.

Realmente, a fama se confirma. Para quem curte a vida tranquila do interior, não faltam opões na Suíça cercadas de montanhas e lagos. O que tem me chamado a atenção é o fato de a população suíça não se concentrar em cidades. As maiores cidades como Zurich, Geneva não tem mais que 500.000 habitantes. Estou vivendo em Berna, que tem em torno 125.000 habitantes (dados de 2012). E a população  do país totaliza 8 milhões de pessoas.

A maioria dos suíços vive em vilarejos – em alemão, dorf – com população na casa dos 2.000, 4.000; não mais que 10.000 habitantes. Muitos vilarejos funcionam como cidades-dormitório e a maioria de seus moradores trabalham e/ou estudam numa cidade próxima durante o dia.

Por ser um pais pequeno e com uma excelente infraestrutura logística, é bem tranquilo se locomover 30 ou 40 minutos de trem de uma cidade a outra, mesmo em distâncias longas. Longe da realidade de passar 2 ou 3 horas engarrafado no trânsito como se vê nas maiores cidades brasileiras. Além dos trens, as redes de ônibus, trams e as ciclovias possibilitam a mobilidade de forma eficiente. Transporte público é massivamente utilizado.

Trem da SBB, Companhia de Trem Suíça, que é o meio de transporte largamente utilizado no país. Imagem extraída de www.blick.ch

Trem da SBB, Companhia de Trem Suíça, que é o meio de transporte largamente utilizado no país. Imagem extraída de http://www.blick.ch

Um ponto importante para compreender é, como o Brasil é um país grande, nosso senso de distância é bem diferente da maioria dos europeus. Em 4 horas de estrada ou de trem, eu mal atravessaria Santa Catarina, por exemplo. Para suíços, 2 horas de trem é “muito longe”. Isso mesmo, é considerado longe. Os suíços com quem convivo fizeram cara de quem não acreditaram quando disse que muitos paulistanos, por exemplo, passam em torno de 2, 3 ou 4 horas ao dia – se não mais – simplesmente trancados no engarrafamento.

________________

André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Atualmente estudando na Kaospilots Switzerland para construir a carreira dos sonhos, que vai render muitas viagens e aventuras! Siga o BZ na fanpage clicando aqui e no Instagram clicando aqui. Blog Brasil com Z, um blog de expatriados dos quatro cantos do mundo ! 

10 Comentários leave one →
  1. 04/03/2016 13:20

    Aqui na Alemanha a vida no “dorf” também é bastante popular. Mesmo aqui tendo cidades realmente grandes, há também uma quantidade muito grande de pessoas que preferem morar em “dorf” e ir para a cidade grande só para trabalhar. Fico impressionada como as pessoas ainda moram em vilas de 15 ou 20 casas! Às vezes elas moram nessas vilas beeeeem pequenas e saem para trabalhar em outra vila um pouco maior; é o caso aqui onde moro. Aqui é uma vila de 6.000 habitantes, muita gente mora em outras ainda menores e vem trabalhar aqui! Questao de estilo de vida!

  2. Arlete Dotta permalink
    07/03/2016 9:04

    Oi André,
    Interessante saber como vc está vendo a Suíça. Às vezes, gostaria de voltar ao passado pra lembrar como eu via as diferenças por aqui, pq com o tempo a gente perde isso.
    Morar em uma cidade pequena ou em “cidades-dormitórios” é muito relativo mesmo. Qualquer cidade fora dos grandes centros suíços (leia-se Genebra, Zurique, Basiléia, etc.) é considerado interior. De trem, eu consigo chegar em menos de quinze minutos no centro de Zurique, mesmo assim a cidade onde moro é considerada interior, o que não deixa de fazer sentido porque saindo do centrão, tem fazendinha, vaca e galinha pra todo lado aqui na Suíça. Pra quem vem dem São Paulo isso soa muito confuso, mas é como na física: tudo depende do referencial 😀

    • André Fernandes permalink
      07/03/2016 16:46

      Oi Arlete, só imagino como você já está acostumada com isso. Pra mim, ainda é diferente! Tudo depende do referencial, é verdade! 😀

  3. 07/03/2016 15:37

    Oi André! Esse seu post permite muitos desdobramentos em outros posts, e também para outros autores.
    Muitos europeus relacionam conforto e qualidade de vida com isolamento. Para muitos, ter vizinhos ou ruído de rua é um pesadelo.
    Agora, o lance da distância ao trabalho… Falando do exemplo de Holanda, ninguém por aqui quer ter um trabalho que leve mais de 1h de distancia de casa. Isso mesmo a conexão com ônibus ou trem sendo excelente. Aliás, muitos empregadores nem marcam entrevista se souberem que o candidato em potencial mora longe, ou não poderá vir de bicicleta (leia-se: “grátis”). Isso porque ele (o empregador) teria que arcar com as despesas de transporte. Claro que para profissionais mais especializados isso não faz diferença nenhuma.
    Um terceiro ponto que gostaria de destacar é que para as férias, nenhuma distância para um europeu é longe. Eles dirigem fácil, fácil 8h, 12h ou 15h para chegar noutro país. Simplesmente para férias longas não vão de avião, porque querem ter a liberdade de poder usar o carro à vontade no destino de viagem.

    • André Fernandes permalink
      07/03/2016 16:44

      É verdade, até quando fiz meu mochilão no Leste Europeu, sempre encontrava pessoas que estavam atravessando o continente de carro, como da Rússia até a Alemanha, por exemplo.

    • Arlete Dotta permalink
      07/03/2016 16:55

      Isso de percorrer as longas distâncias pra sair de férias é verdade! Eu antes achava uma eternidade levar duas ou três horas pra chegar na praia, mas ia sempre que possível. Hj em dia, vou no máximo uma vez por ano, a viagem dura no mínimo 6 horas e a água é beeem fria Não dá pra ter tudo, mesmo… :’C

      • André Fernandes permalink
        07/03/2016 17:08

        Na Europa, praia pra mim é Odessa, na Ucrânia, a água é bem morna e faz uns 30ºC no verão. Talvez as praias do sul da Itália também tenham águas mornas.

  4. 07/03/2016 19:41

    E o povo do Marrocos que sai da Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica… Dois dias para chegar ao Marrocos? DUREZA! Depois ainda tem que voltar.
    Meu marido disse que quando era pequeno, os pais viajavam durante a noite toda (umas 10 a 12 horas) para chegar ate a Dordonha. Perigosíssimo isso. Ele foi ainda bebe numa caixa (solta) no banco de trás. Impensável hoje em dia. Quando cresceu, ele tinha a “função” de ficar no banco da frente, ao lado do pai, para vigiar se ele não dormia (então estalava os dedos, batia palmas, chamava a atenção…). Gente… o mundo era outro. Mas hoje os europeus continuam viajando e-nor-mes distancias durante as férias de verão. Com crianças, sacos de batatas, bikes, cachorros e tudo mais.

  5. edvanfleury permalink
    21/03/2016 9:22

    Eu amo moro no interior! Descobri que há um suíço dentro de mim: 2 horas de trem é “muito longe” (Para mim também ahahaha)

    • André Fernandes permalink
      21/03/2016 11:03

      hahaha Imagino que você mal atravessa Beijing em 2 horas!

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