bz_colaborador bz_holanda Ana Fonseca – Holanda, Mundo

Final do inverno chegando, muitas pessoas na Europa já começam a se planejar para suas férias de verão (julho/agosto). Para quem no passado ficou em bungalow parks e parques com casas para alugar na Europa já recebeu em finais de novembro do ano passado catálogos grossos com opções e descrições de estadias em diversos países. Os catálogos são muito lindos e descritivos, com fotos idílicas de lagos, piscinas, grutas, montanhas, castelos e famílias fazendo barbecue. Todas as pessoas sorriem, e o céu é muito azul… No momento em que digito esse texto, estou de olho em três catálogos sobre minha mesa: Suncamp Holidays (nos oferecem 5% de desconto, oba!), Vacansoleil e Vacance Select.  Como meus pais lá no Brasil já avisaram que não vem me visitar esse ano, nos próximos dias já fecho todos os detalhes para as férias da minha família em julho/agosto na Cantábria (Espanha) e França. Esse planejamento todo feito com tanta antecedência e com detalhes bem calculados é algo que ainda surpreende muitos amigos e familiares brasileiros. Muitas famílias fecham todos os detalhes das férias de julho/agosto de seis a sete meses antes.

BLOG TRAVEL

Mas para quem vive a maior parte do ano num eterno outono, esperar pelo verão “não funciona”. Na Holanda, onde moro, muitas pessoas aproveitam justamente o inverno para tirar pequenas férias de uns dias, ou fim-de-semana prolongado. O que pode ser muito produtivo, pois mini férias também ajudam a relaxar a mente e colocar muitas coisas em perspectiva. Mesmo casais planejam mini férias separados, só com os amigos ou só com as amigas, para dar um brilho na amizade.  Assim passam duas ou três noites com um grupo em uma capital europeia, para por os assuntos em dia. Ou justamente se enfiam “in the middle of nowhere” num bangalô no meio da floresta, ou casa de campo, para ter uns dias sem computador / tecnologia e horários fixos. Jogar cartas, ler livros, fazer fondue…

Grande parte da felicidade adquirida por sair de férias acontece já no planejamento. Segundo esse artigo publicado anos atrás no New York Times, uma pesquisa feita por pesquisadores holandeses da Universidade de Breda concluiu que a antecipação de sair de férias pode elevar o estado de ânimo em até 8 semanas. Nada mau! Eu sei de pessoas que experimentam grande satisfação em organizar as fotos das férias em álbuns. A satisfação antes e imediatamente depois das férias para algumas pessoas pode ser maior do que com as férias em si.

Ver o mundo fora da sua concha pode te ajudar a valorizar o que você tem de material ou emocional. Pode te dar mais esperança e gratitude, e mudar seus paradigmas.

Blog Before Sunrise

Um ponto interessante também publicado e conhecido na Holanda, é que muitos casais (e relacionamentos familiares) terminam imediatamente após as férias de verão. O que faz sentido pra caramba. Um casal que fica se esquivando um do outro o ano inteiro, quando tem que dividir um bungalow apertado, lavar peças de roupa numa pia micro e tomar pequenas decisões diárias pode acabar explodindo e decidindo que “enough is enough”. Quem nunca ouviu falar de um casal ou um grupo de amigos que rompeu justamente durante lindas férias no exterior? Não é por acaso que muitos roteiros de filmes e livros tem como mote uma drástica mudança na vida dos personagens durante uma viagem. Parece que num ambiente diferente, com outra língua e circunstâncias diferentes das quais estão familiarizados, muitas pessoas sofrem de estresse e repassam seus relacionamentos a limpo. Dizem grandes verdades, tomam resoluções firmes, dão guinadas no destino, etc.. Outras encontram o amor das suas vidas justamente fora de seu país natal (I know, I know: “Cliché but true”), em outra cultura, e tem profundos “insights” a respeito do que é encontrar a alma gêmea, twin flame ou no popular: a tampa da panela.

BLog Before Sunset

Numa viagem para um país de outra cultura, radicalmente diferente, há também sempre o risco de passar por gafes e ou ter um choque cultural, que pode ser hilário (veja esse post aqui e esse aqui) ou grave (veja esse post meu aqui e esse do Andre aqui).  Mas é claro que há os que retiram o melhor para suas vidas durante uma viagem, por mais breve que seja. Melhoram seu julgamento estético, se tornam mais tolerantes, ou mais espirituais, decidem começar uma atividade física, uma dieta, mudar o guarda-roupa, pintar o cabelo, aprender uma língua ou hobby (fotografia, culinária, decoração, cultivar orquídeas…) quando voltam pra casa. Tudo impulsionado pelo que viram e fizeram durante as férias em paragens exóticas. Escrevendo para blogues há tantos anos e tendo contato com tantos expatriados na vida real na Holanda e no mundo virtual, já conheci muita gente que tomou grandes decisões na vida após uma viagem. Ou justamente precisou de uma viagem para bem longe para mudar a vida radicalmente. Se você esta me lendo até aqui, certamente se identificou de alguma maneira com o que estou dizendo. Qual foi a sua viagem mais marcante? E por que exatamente? Como lidou com o “depois”?  Porque há sempre um “depois” gente! Mas poucas pessoas da importância em relatar o “depois” – para o melhor ou pior.

BLOG Before Midnight

Se desligar bastante da rotina de trabalho e família é necessário. Aumentar a fantasia e criatividade dá cor à vida. Mas há um ponto importante que devemos considerar também. Vamos continuar sendo seres lógicos, por favor! Eu não aconselho ninguém a se desligar totalmente, principalmente se vai passar mais de duas semanas fora do seu país. Se puder, ligue para algum colega de trabalho com o qual você seja mais íntimo e pergunte como estão as coisas na empresa. Ou envie um e-mail para ele. Você tem um bom contato com vizinhos ? Veja com eles se está tudo certo com seu jardim, com a fachada da casa, com a porta de entrada. Eu já tive férias em finais de agosto de 2001 na França profunda onde fiquei totalmente sem internet. Foi muito estranho e angustiante voltar ao trabalho por volta da segunda semana de setembro e ouvir todo mundo falando de “ataques terroristas”, “o mundo ocidental em perigo”, “a terceira guerra mundial vai começar”. Me custou uns dias tensos para ler notícias, por as coisas em perspectiva e formar minhas próprias conclusões.

BLOG DRINk

Hummm, viajar sozinha durante uma crise de meia idade, depois de um rompimento emocional. Comer, rezar e amar ou… Beber, jogar e f****? Eu pessoalmente acho que as mulheres passam melhor a crise dos 40 do que os homens. Principalmente se combinam a “crise” com uma viagem sozinha ou com amigas. 

Sim, saia de férias. Mas atenção: deixe também sua casa organizada e estocada, de modo que voltando das férias possa retomar a rotina de forma fácil e agradável. Tenha comida caseira congelada se possível, artigos de higiene arrumados, roupa limpa nas gavetas, suas chaves e artigos mais queridos num lugar que possa lembrar facilmente. Sua casa é sua âncora, seu referencial. Seja gentil para você mesmo, principalmente se a viagem recém feita tiver sido muito intensa, uma montanha russa emocional e/ou cultural. Nada mais desgastante do que voltar de férias e além de ter que desarrumar as malas, ter que arrumar também a casa e ir procurar onde exatamente estão as coisas. E não encontrar um rolo de papel higiênico !  😉

BLOG ONE

Dividam com a gente nos comentários suas experiências antes, durante e depois das viagens que mais marcaram vocês!

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Ana Fonseca é publicitária, fotógrafa, escritora e vive na Holanda. Sigam-nos no Facebook, Twitter e Instagram para fotos nossas e atualizações diárias sobre viajar, estudar e morar no exterior.