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Como identificar possíveis ladrões na Europa?

17/07/2017

 Ana Fonseca – Mundo

Esse post de hoje “Como identificar ladrões potenciais na Europa?” poderia ter um subtítulo: “Preconceito ou a vida real?”

Tudo começou quando eu e meu marido decidimos planejar nossa férias de verão desse ano até a Espanha. Ou, mais especificamente: ELE começou a

pensar sobre a costa da Catalunha. Eu não queria (amo a Espanha, diga-se de passagem) pois não pretendo ter que dirigir tanto esse ano, e com crianças. Nunca vamos a grandes capitais com nossas crianças, nunca visitei Paris, Roma, Berlim ou Londres com elas, nem pretendo. São lugares exaustivos para jovens famílias, caros e anda-se muito. Gosto de ir para regiões pitorescas, com cidadezinhas, prainhas, laguinhos, etc.. Meu marido insistiu, argumentou, mostrou boas ofertas… Vamos acabar passando uma semana por lá, numa aldeia na costa, numa casinha alugada pelo Airbnb. E indo de trem passar um ou dois dias inteiros em Barcelona.

Pesquisando na biblioteca local e pela internet, me deparei com conselhos muito enfáticos tanto em guias de viagens impressos em holandês quanto em blogs e colunas em sites brasileiros sobre o risco potencial de “mão leve” que algumas nacionalidades representam em Barcelona. Com destaques para ciganos, ciganas romenas carregando seus bebês, peruanos, marroquinos/argelinos (“moros”) e bósnios. Tá duvidando? Veja aqui em pdf o mapa que o jornal El País publicou alguns anos atrás. Preconceito? Ou simplesmente “a vida como ela é”? Cada um que tire suas próprias conclusões.

Agora me perguntem, por favor me perguntem: e na Holanda? Por acaso não tem batedor de carteira, não? Bom, tem bem menos que lugares como Barcelona. A criminalidade na Holanda é reconhecidamente bem baixinha. Olha, eu ando muito pela Kalverstraat, por exemplo, uma rua de compras na Holanda.  Em mais de 15 anos só **duas** vezes vi situações “de risco” na Kalverstraat. Numa delas, bem no início ainda, depois de sair por alguns metros da praça do Dam, um cara se emparelhou comigo enquanto eu caminhava apressada segurando minha bolsa e guarda-chuva olhando para o chão. Olhei para ele, que estava sorrindo. Fiquei de cara amarrada e na hora ele disse “Olá, está se lembrando de mim?”. Na hora pensei “Um prostituto, tentando descolar algo comigo”. Como nunca tinha vido “mais gordo” na vida e me senti ameaçada, agi em uma fração de segundos, logo que ele terminou a frase dele. Entrei rápido dentro de uma livraria, não sem antes ouvir: “Biiiiitch! You better remember me, cause you’ve hurt me so much!”. Lá dentro da livraria pensei: “Cara, que maluco!”. O sujeito era bem moreno, rosto quadrado, com aspecto indiano. Mas bem que podia ser marroquino ou argelino. Saí quase meia hora depois da loja, meio ressabiada, olhando para os lados, pisando firme e segurando meu guarda-chuva com força.

Assim que cheguei à Holanda, eu era bem mais paranoica com relação a “pick pockets” e roubos sem violência, por distração. Meu marido costumava andar com uma mochila grande, com uma câmera grande dentro (eu não entendia o porquê dele sempre carregar aquele “trambolho” mas anos depois, sou eu que quase sempre faço turismo levando minha Nikon grande e pesada). Entramos numa loja de comida barateira do Suriname e sentamos numa mesa comunal, esperando a comida ficar pronta, batendo papo com uma amiga nossa. Ele deixou a mochila no chão, encostada nas pernas. Chegou um cara, meio cansado, que olhava às vezes para a mochila. Eu falei com meu marido para ele segurar a alça da mochila. Meu marido segurou, mas todo mole, sorrindo… depois de um tempo largou. Eu falei de novo e comecei a olhar séria para o cara, estudando as feições dele. Quando meu marido largou a alça da mochila pela terceira vez, eu fiquei super irritada, avancei para a mochila, peguei do chão e coloquei no meu colo. O carinha que eu andava desconfiada e até então não havia pedido nada para comer (estranho, não?) se levantou e foi embora (aha!). Sim, o cara tinha aspecto antilhano.

Em Sevilha, uns 13 anos atrás, já fui abordada por ciganas que queriam amarrar algo em meu pulso – isso em plena luz do dia e eu cercada de meia dúzia familiares. Meu sogro deu um grito nelas em holandês mandando ir catar coquinho, deu um mega esporro em mim apontando o dedo, foi tudo muito rápido e super constrangedor. Depois, meu sogro me avisou que minha cunhada já tinha sido surrupiada assim, anos atrás na mesma cidade, depois de ter recebidos uma rosinha de presente de ciganas. Aliás, essa mesmíssima cunhada foi surrupiada durante a Féria del Caballo em Jerez sem perceber, como eu já narrei aqui no final desse post. 

Muitos anos atrás, enquanto estávamos no segundo dia de férias em Singapura, minha antiga casa foi arrombada e assaltada. Na volta, ouvimos da polícia que os suspeitos eram “integrantes da antiga Iugoslávia”, ou seja: bósnios e sérvios.

Há vários blogs com várias dicas e alertas de furadas, golpes, assaltos. Descrevendo taxistas que trocam a nota que você acabou de dar e exigem uma maior, ladrões “disfarçados” de turista (com mapa e pau de selfie na mão)…  Mas minha pergunta aqui nesse post de hoje é a seguinte: devemos evitar falar de grupos étnicos malandros com medo de sermos taxados de xenófobos, ou devemos alertar sobre os problemas da vida real dando nomes aos bois?

SERVIÇO: 

Leia também sobre batedores de carteira na Espanha:

http://viagemeturismo.abril.com.br/blog/achados/batedores-de-carteira-na-espanha-as-principais-taticas-usadas-e-como-escapar/

Como evitar golpes no Chile?

https://blogbrasilcomz.com/2017/06/29/5-tipos-de-golpes-contra-turistas-em-santiago/

Esse post está em aberto, e não acaba aqui. Ele será complementado com os comentários dos leitores sobre diversos golpes praticados pela Europa, experiências ruins, dicas de alerta. Os crimes praticados na Europa, principalmente contra turistas, não são violentos (sem armas, agressão física, intimidações) mas aproveitam a distração das vítimas encantadas com tantos monumentos, museus, palácios e arquitetura deslumbrante. Cabe a nós mesmos estarmos prevenidos, sempre.

_____________

Ana Fonseca vive desde 1999 na Holanda.  Sigam o “Brasil com Z” no Facebook para atualizações diárias sobre viver, turistar, estudar e trabalhar no exterior. Vejam fotos dos nossos autores pelo mundo seguindo nossa conta do “Brasil com Z” no Instagram. O blog Brasil com Z dá tuitadas também: http://www.twitter.com/blogbrasilcomz.  Quer participar como autor(a)? Envie-nos uma mini biografia e um texto sincero de apresentação. Caso seu potencial combine com as expectativas do blog, entraremos em contato: blogbrasilcomz@gmail.com Agradecemos! 

11 Comentários leave one →
  1. 17/07/2017 16:57

    Bom, infelizmente “amigos, amigos, minha carteira e meus pertences à parte”: em muitos lugares pessoas com comportamentos diferentes tendem a confirmar suas suspeitas.

    • AnaFonseca permalink*
      17/07/2017 17:08

      Sim, verdade. O mais correto é ter a bolsa de alça, daquelas que ficam atravessadas no corpo. E na frente do corpo, não ao lado ou atrás. Bolsa pequena de mão ou segurar uma mochila pela alça, vem um mais forte e mais rápido e “vupt’! Carrega mesmo, em um segundo!

  2. Joyce Dias permalink
    17/07/2017 18:02

    Só faltava esta…ser obrigado a ser roubado prá pagar de politicamente correto… Tem de falar, simmmmm…!!! Chileno tentou me roubar em Camboriu, SC; ao mesmo tempo tem peruana, chileno e boliviana na igreja que frequento, cristãos, honestos, trabalhadores… Quando minha filha chegou ao Japão uma,década atrás, ao chegar no kombini (mercado) tinha gravação avisando da presença de brasileiros na área, éramos considerados todos como ladrões…e os japas não tavam nem ai se ficássemos ofendidos pela discriminação generalizada. Hoje mudou, não há tanto preconceito… Enfim, melhor falar a realidade, precisamos nos precaver, não estamos nadando em dinheiro prá agir como se não ligássemos …

    • AnaFonseca permalink*
      17/07/2017 18:57

      Exato! E a fama que as brasileiras tem? Por que então nós, como brasileiros, não podemos desconfiar de certos grupos? As mulheres tem mania de querer ser “legal” e não ofender ninguém. Mas aí é que o urubu avança, colocando pozinhos em drinques, se enfiando na portaria de um prédio quando a mulher acede à própria residência, chegando muito perto, oferecendo rosas, etc. Essa é a hora de pular fora e sair correndo! O mundo tá muito doido, não podemos confiar em ninguém!

  3. Juliano Emilio permalink
    17/07/2017 18:16

    Os lugares que mais passei apertos foram Roma e Paris… eles não costumam assaltar com armas, mas nesse estilo de distrair com uma rosa, uma pulseira ou um anel que fingem terem encontrado no chão bem na tua frente. Em Barcelona avisaram que os caras que ficam nas Ramblas fazendo brincadeira de adivinhação sempre tem alguém na plateia limpando o bolso dos espectadores… Bateram minha carteira dentro do Louvre, na parte das lojas embaixo da piramide num 14 de julho de entrada gratuita (lotado!).

    • AnaFonseca permalink*
      17/07/2017 19:00

      Acredita que em La Rochelle (FR) bem no centro, num dos pontos mais turísticos (vista para a entrada da baía) ficam uns artistas com miquinho, realejo e jogos de cartas (parece coisa do início do século XX, eu sei…) e tem uns que aproveitam para roubar os espectadores? Todo mundo de boca aberta, fascinado… Vi de soslaio uma “situação” assim se armando a alguns metros de distância, e puxei com força marido e filhos para irmos embora.

  4. 17/07/2017 19:25

    Esse é um tema muito sensível….não a parte de roubos, mas os determinados “grupos étnicos”… a gente sabe que sim, a maioria dos roubos (de casas principalmente) pelo menos aqui na Suíça, partem de pessoas da ex Yuguslávia… não é legal generalizar, mas os fatos e as estatísticas estão ai e não nos deixam mentir.
    Meu marido sempre carrega mochila quando viajamos, exatamente para deixar a câmera lá. Felizmente nunca aconteceu nada. Tambem nunca fomos roubados, porém na Itália (agora não lembro bem em qual cidade) uma vez eu tive a certeza que seríamos assaltados por um cara (que não parecia italiano) que vinha logo atrás da gente, era um pouco tarde e a rua já estava meio que deserta. A sorte foi que eu percebi a tempo e entramos em um hotel que estava no nosso caminho. Foi por pouco e por pura sorte!
    No mais, eu sempre ando com a minha bolsa atravessada e no lado da frente do corpo, não marco bobeira.
    Em agosto vamos para Paris e já estou bem esperta, rs… ultimamente tenho lido muitos relatos de roubos por lá. Não dá pra bobear. Bj

    • AnaFonseca permalink*
      17/07/2017 19:50

      Sandra, meu marido põe o zíper da mochila (tem várias camadas de “bolsos” e compartimentos) para dentro. Mas isso não deixa a mochila dele à prova de assaltos. Sim, no caso de dúvida é sempre melhor entrar imediatamente em um outro tipo de espaço onde você possa sair do “raio de ação” de alguém à espreita. O nosso sexto sentido não deve ser nunca desprezado, ele é instintivo e nos ajuda a sair da situação de “presa em potencial”. Às vezes uma bobeira nossa faz despertar o lobo primitivo em uma outra pessoa. Podemos perfeitamente curtir nossas férias sem pânico constante, mas não podemos, não devemos ser bobinhos. Eu aviso aos meus filhos, especialmente à minha filha, caso alguém se aproxime dela aqui na village ou qualquer outro lugar chamando para ver algo, ou parando um carro e abrindo a porta, para ela não dar ouvido e fugir e fazer o maior alarde possível. Já estive em muita muvuca com eles como mercado de natal em Colônia, nunca aconteceu nada.

  5. AnaFonseca permalink*
    17/07/2017 20:15

    Saiu publicado agora: jovens de origem imigrante (iraquiano e requerentes de asilo afegãos) causam distúrbios e abusos sexuais em cidadezinha na Alemanha.

    http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2017/07/17/interna_internacional,884476/disturbios-e-abusos-sexuais-em-festival-na-alemanha.shtml

  6. 17/07/2017 22:17

    E tem aquelas (normalmente são garotas) que te abordam para “fazer uma pesquisa”, com uma prancheta na mão. Fuja desse pessoal! Quando se aproximam de mim, grito que vou chamar a polícia e elas saem rapidinho, fingindo que não sabem do que se trata e que não é com elas. Acho que a nacionalidade nem é tão importante: tem gente desonesta e malandra no mundo inteiro, o que varia é a forma que atuam. A gente tem que ficar esperta(o)!

    • AnaFonseca permalink*
      18/07/2017 6:57

      Sheila, essa é exatamente a situação da primeira foto que ilustra esse post! Tem direto na Europa. Eu caio fora de qualquer “pesquisa”, distribuição gratuita de revista ou jornal, etc.. Também não gosto muito de ficar sentada em terraço de bares e restaurantes, quase no meio da rua. A melhor coisa é ficar sentada com a bolsa no meio das pernas e a alça toda enrolada no braço (sim, eu tenho minhas bolsas exclusivas para férias, com zíper e alça longa). Até quando eu vou ao banheiro não deixo mais minha bolsa na cadeira com aviso ao meu marido de “ficar de olho”. Ele é relax e não fica de olho mesmo.

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