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10 Furadas em Amsterdã

24/01/2017

bz_holanda Ana Fonseca – Amsterdã, Holanda

Ok, o que pode ser cilada para uns, pode ser o paraíso para outros. Mas fiquem avisados sobre os seguintes passeios duvidosos em Amsterdã:

1- Passeio de barco envidraçado nos canais durante tempo ruim.

Gente, o passeio é lindo, sem sombra de dúvida. Mas a condição indispensável para ser lindo é o tempo estar bom, seco, ensolarado e sem ventos. O “pobrema” é que esse passeio é recomendado e vendido (por recepcionistas de hotéis, agências de turismo, guias, etc.) mesmo quando chove. Já vi em folhetos: “…um barco todo envidraçado, portanto uma ótima alternativa mesmo durante dias chuvosos e…”.  Nããão! Durante dias chuvosos você não vê nadica de nada, ninguém se atreve nem a abrir as janelinhas, e embaça tudo, mau humor total.

Europe, Netherlands, Amsterdam, Tour Boat on Brouwersgracht Canal

2 – O Museu de cera Madame Tussauds

Vou confessar: não visitei. Mas meus pais foram. Fila sempre muito longa na porta, o ano inteiro. Ingressos caros. Na saída, meus pais estavam muito desapontados. Disseram que tinha um grande número de personalidades holandesas famosas retratadas (artistas, cantores, membros da família real, desportistas) os quais eles nunca tinham ouvido falar. E por isso não podiam avaliar a perfeição e fidelidade dos bonecos. Outros bonecos sendo anunciados em folhetos, não estavam lá. Agora, a filha de um amigo do meu marido foi e adorou. Ela tem 15 anos, mora numa village pequena do outro lado da Holanda e amou ir junto com o pai dela conhecer todas aquelas personalidades retratadas lá. Pois é. A furada de uns é o nirvana de outros.

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https://www.madametussauds.com/amsterdam/en/

3 – O Tour da Heineken

Fui com dois amigos do meu irmão que estavam passando por Amsterdã. Eles gostaram muito. Basicamente, consiste em saber da estória da Heineken e depois ganhar uma cervejinha. Perda de tempo.

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Aliás, tour de cervejarias, Porto, vinhos licores… tudo isso é muito controverso e tem que ter cuidado, se informar bem antes para não se decepcionar. Na Bélgica já fui a um razoável e a outro péssimo, na mesma cidade. Pode me convidar para ir a qualquer adega de vinho do Porto em Vila Nova de Gaia que eu vou de novo, é sempre um tour básico e muito honesto. Bom, tema para outros posts…

4 – O dia do Rei

Nunca fui fã de grandes aglomerações, diversões para massas. Então, nem todo ano eu saí de casa para festejar o que era o “Dia da Rainha” (na época que a Beatrix dava as cartas). Mas algumas vezes fui arrastada pelo marido. E também para não bancar a antissocial, esquisitona.  Fui de cara amarrada, mas fui ver as ruas ensolaradas e floridas tomadas de gente com shows aqui e ali nos canais, muita comida indonésia na rua, … ok, até tem seu charme, confesso (Mas voltar para casa no fim do dia usando bota de salto alto depois de esperar umas 2h pelo ônibus e viajar nele lotado com cheiro de maconha no ar foi glamour 0).

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Foto: arquivo pessoal Ana Fonseca

Mas então: era um evento de holandeses para holandeses (e turistas dos países vizinhos, principalmente ingleses e alemães).  Tinha crianças holandesas tocando instrumentos em troca de moedinhas, crianças fantasiadas de estátuas vivas, todo tipo de comida asiática e barata (linguiças fritas, batata, espetinho de frango), barcos com som e muita comida e cerveja. Um delírio para os olhos. O Vondelpark, ficava mágico. Os holandeses negociavam tudo, bicicletas velhas, roupas usadas, móveis… Cheguei a fazer álbuns de fotos super bacanas com as crianças e nossos amigos nesse dia.

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Foto acima: arquivo pessoal Ana Fonseca

No ano passado fui de novo, meio que por obrigação de mãe. Fomos com outro casal, também com filhos. Tempo bem ruinzinho e decidimos não ir ao Vondelpark que podia estar enlameado. Fiquei admirada de ver pouca gente na rua, a falta de higiene e descaramento na hora de preparar a comida, e sobretudo: muita, mas muita barraquinha de chineses, turcos, marroquins, produtos eletrônicos, quinquilharias. Tinha se tornado uma festa cafona e pobre, com muito lixo. Tinha aquela quermesse na praça do Dam, com roda gigante, barraquinha. Isso meio que “salvou” nosso dia, que foi no geral bem frustrante.

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Quem disse que ninguém mais hoje em dia gosta de música clássica ? A Prinsengracht LOTA de público ávido por concertos e jazz e clássicos. Veja abaixo: o povo vem de barco mesmo, engarrafa as águas! É sublime! 

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Como alternativa, há muitas outras datas ao longo do ano com festejos mais elegantes e interessantes. Como por exemplo: o belíssimo Amsterdam Light Festival a cada inverno, o Grachtenfestival em agosto (na Prinsengracht, o canal dos Príncipes,  com concertos de música clássica, orquestra, jazz, etc.), o SAIL (o maior evento nautico do mundo, dura três dias a cada 5 anos) e até mesmo a Gay Parade (embora muita gente não ligue mesmo para esse último evento).

5 – Tour em loja de diamantes

Esses tours não são mais muito promovidos. Mas às vezes você vê plaquinhas nas ruas falando a respeito. Também em pontos de ônibus “hop on hop off” você vê escrito: “parada em fábricas de diamantes”. O tour é grátis, e em alguns até champagne é oferecido. Vou deixar bem claro: você não vai ver o “processo de dilapidação de diamantes passo a passo”, ou “todas as fases da produção”.

Eu fiz esse tour há muitos anos atrás e consiste em ter um guia que chega para conduzir o grupo, e mostra  esticando o braço como a fábrica é grande. Tinham uns artesãos numas mesinha dilapidando algo. A “guia” fala onde estão as maiores minas do mundo, que o diamante é “o elemento mais duro do universo” e logo diz que agora ela vai entrar na sala com no máximo 4 pessoas para mostrar alguns diamantes. Nesse momento, umas 10 pessoas deram as costas e foram embora, meio que rindo e revirando os olhos. ESSA É A HORA DE IR EMBORA !!!! Você sai achando tudo legal, e a vida segue. PORÉM eu e meu marido entramos (de gaiatos) numa sala com outro casal e aí a “guia” começa a mostrar anéis de diamantes, meio que empurrando a venda. Sala toda branca, com câmeras, e as jóias chegando por um tubo branco da parede, bem estilo 007. Ou seja: não é “tour por fábrica de diamantes para curiosos de plantão” mas sim “venda de jóias para turistas endinheirados e deslumbrados”. Nós, muito constrangidos, e o outro casal logo agradecemos a ela pelo tempo dispensado e abreviamos a visita. Esse foi um exemplo ótimo de como uma experiência mal anunciada e mal realizada cria uma expectativa irreal e com resultados frustrantes para ambos os lados (comprador e vendedor).  A não ser que você tenha muitos milhares de euros para gastar em jóias e queira fazê-lo no ambiente frio de uma sala de fábrica… acho furada.

6 – Diversos “museus” muito pequenos e bobocas.

A Holanda tem uma quantidade imensa, mas imensa mesmo, de museus pra tudo. Às vezes uma pequena coleção em cima de uma mesa já recebe a classificação de “museu”. Bom, um pequeno que eu visitei na Damrak (Não tem erro para achar, venha andando a partir da Estação Central) foi o Museu do Sexo.

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A entrada é baratinha, e me pareceu a princípio uma coisa totalmente inusitada e legal. Não é um mau museu, você fica vendo peças (genuínas) da antiguidade que remetem a erotismo de diversas culturas: gregos, chineses, fenícios, cretenses, etc. Há estátuas, pedaços de mosaicos, artefatos, vestimentas, acessórios, condoms primitivos etc. Só que não há explicação para nada, é tudo fora de contexto, e muito kitsch. E quanto mais você sobe os andares do prédio, menos interessante fica a coisa, e mais apelativo.  No final, há pura pornografia de revistas, mídia, beirando o limite da insanidade. Saí de lá sem ter aumentado minha visão de mundo. Furadaaaa!

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Outra furada é o Museu da Tortura. Mas se você tem até 16 anos, como a filha do amigo nosso que foi ao Tussauds e esse aí, vá. É diversão garantida. Ou se tiver a idade mental de 15 anos, vá também.

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7 – O Hortus Botanicus.

É bem bonito, e um dos mais antigos do mundo. Mas quem vem do Brasil, ver todas aquelas plantas tropicais numa estufa… não quer dizer nada.

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Alternativa: visite o Tropen Museum (O Museu dos Trópicos). Em suas galerias abertas, separadas por arcos tem muita, muita, MUITA coisa sobre a cultura de diversos países: México, Marrocos, Egito, América Central, Índia, nordeste brasileiro, África subsaariana… Miséria, complexidade cultural e muito, mas MUITO bling bling. De encher os olhos! Para adultos e crianças, é altamente surpreendente. Há com frequência workshops de música, dança ou teatro para crianças, já fui a uma só sobre literatura de cordel e cultura nodestina (tinha brasileiros lá, réplicas de ambientes patrocinado pela Havaianas, as crianças visitantes deram no final um show de frevo para os pais, foi MUITO legal).

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8 – Comprar bolo de maconha, chá de maconha, sorvete de maconha, pirulito de maconha, biscoito de maconha…

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Pfff. O índice de THC é mínimo, desprezível até. Você não vai sentir efeito nenhum, te garanto. Essas lojas são “pega turista”, porque cobram bem caro por um muffin, que não cumpre a promessa. A melhor alternativa é ir a coffeeshops (identificadas por letreiros nas portas, em néon). Mas quer saber mesmo? O melhor é não fumar nada. Vá relaxar vendo arte, paisagens, andando ao longo do rio Amstel. Passe num supermercado e  vá fazer um piquenique nos jardins externos do  Hortus Botanicus, deitando na grama do Vondelpark, ou na praça dos Museus…

9 – Descobrir a cidade de bicicleta alugada

Veja esse post meu aqui sobre como os carros e ônibus respeitam os ciclistas. Mas atenção: respeitar não significa que cedam totalmente seus direitos para qualquer ciclista incauto. Cada um no seu quadrado.

E porque digo que é uma furada alugar uma bike para ir descobrir Amsterdã? Ora, confesso que esse ponto #9 é um pouco controverso. Mas os ciclistas locais tem muita prática, muita assertividade. Eles por aqui preferem freio no contrapedal (assim a bike não escorrega no piso molhado durante chuvas, e aqui pode chover pra dedéu), e portanto não gostam de parar toda hora. Tocam sininho com raiva para os pedestres distraídos, sabem a fração de segundo necessária para dar uma arrancada na frente do ônibus ou bonde e mudam repentinamente de faixa apenas esticando os braços e apontando com os dedos a direção que irão tomar. Ou seja: são muito calejados. Se você não tem essa prática toda, é melhor não arriscar.

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Quando tem acidente envolvendo ciclista-pedestre, pode ver que o ciclista era turista  (eu saco logo pela cor vermelha ou amarelo-ovo daquelas bicicletas alugadas). Os turistas em bikes alugadas são lentos, inseguros e distraídos. Pedalam em grandes grupos… Isso irrita os taxistas, motoristas e até pedestres. Atrasa o ritmo da cidade toda.

10 – Ir ao Museu do Van Gogh

Eu não gosto do Van Gogh, ponto. Nem vou aqui discorrer o porquê. Gosto da fase orientalista dele, e só. Se você gosta muito dele, vá ao museu. Se gosta “mais ou menos”, então não perca seu tempo. O Van Gogh deve ser o artista holandês mais badalado intensivamente pelo setor turístico holandês, e muito, mas muito dinheiro é arrecadado com as obras dele. Sempre fila muito longa na porta (compre antes online, economiza sua beleza e sua paciência), o prédio onde estão as obras dele é imenso, mas do Van Gogh mesmo há poucas coisas para se admirar. Você vê relativamente rápido (e junto com um montão de gente) e o restante do tempo fica admirando outros artistas. A lojinha do museu é simplesmente fa-bu-lo-sa, com grandes gravuras que são super bem embaladas para levar no avião e tem também artigos nada cafonas, de classe. Mas – diferente dos outros museus – só quem tem o tíquete de entrada do museu poderá visitá-la. Alternativa: se não quiser visitar o museu mas comprar só uns presentinhos:  vá a uma lojinha de suvenires na praça dos museus (Museumplein) mesmo, é compacta e tem também muita coisinha bacana. A Carla já falou sobre isso nesse post aqui, relembre.

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Chocolatinhos baratos na lojinha da Museumplein. Foto arquivo pessoal. 

Pode ser que alguém discorde com o que mencionei acima. Aceito, na boa, lógico. E lembrem-se que mencionei alternativas. Ou seja: não quis ser amarga relatando só armadilhas. Uma coisa é certa: Deve ter muito mais furada nessa cidade do que relatei. Se quer saber o que é legal, dê uma olhada nos meus posts já publicados. E curta a nossa página no Facebook, sempre divulgo coisas legais da Holanda. Quero deixar bem claro que Amsterdam é uma cidade graciosa, humana, diversificada, limpa e segura, com muita coisa para visitar e se deleitar. Mas, em suma: visite os grandes museus (Rijks, Stedelijk, Hermitage…), os eventos mais elegantes, e vá aos pontos certos e grandiosos (anéis de canais, Vondelpark, a praça dos Museus, o Jordaan etc.). Os séculos revestiram esses lugares de muito charme, não tem erro.

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Ana Fonseca adora Amsterdã. Curtam nossa página no FB e nossa conta no Twitter para atualizações da vida no exterior. Quer ver fotos lindas de Amsterdã e outras cidades pelo mundo? Sigam nosso perfil no Instagram. Blog Brasil com Z, um blog feito por expatriados brasileiros, vivendo nos quatro cantos do mundo! 

3 Comentários leave one →
  1. 24/01/2017 11:03

    Algumas das furadas que você citou eu já imaginava que nao seriam mesmo boas ideias de passeio, mas acabei descobrindo outras. Ótimo saber para nao perder tempo e poder aproveitar as tantas outras preciosidades dessa cidade! Adorei o post, me inspirou saudades… Que vontade de visitar Amsterdam novamente!

  2. 24/01/2017 15:24

    Cada um tem um gosto único, não é mesmo Cris? Mas realmente não entendo como alguém fique na fila para ver os bonecos feios do Tussaud ou visitar museus pequenos e kitsch quando se tem o Rijks e o Hermitage. Também é muito válido ignorar a Heineken e ir visitar outras cervejarias muito mais autênticas e charmosas, frequentada pelos próprios holandeses. Há muitos outros lugares que não citei, mas creio que fazer uma lista de 10 coisas já está de bom tamanho.

  3. 24/01/2017 20:15

    obrigado pelas dicas Ana !. Eu ate estava mesmo pensando em visitar Amsterdam durante o dia do Rei. Ja o tour gratis na fabrica de diamantes, já dizia o velho ditado, quando a esmola é demais, o santo desconfia rsrs ; ainda que voces conseguiram abreviar a visita !.

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